O AMAZONISMO, A DOUTRINA DAS QUATRO IDADES E COMO A VERDADE SE OCULTA NA ALEGORIA

“Amazona” – Carlos Dugos. Óleo s/ tela, 116×89 cms. 2001

Segundo a doutrina metafísica das “Quatro Idades”, durante a terceira, a do Bronze – não confundir com a idade histórica com o mesmo nome – ocorreu a ascensão de uma estirpe titânica, a das amazonas. Como em todo o titanismo, marcado pela monstruosidade, pela ambiguidade de natureza ou pelo fenómeno heterogéneo – centauros, minotauro e outros híbridos – também o amazonismo se caracterizava por uma natureza masculina em corpo de mulher. As amazonas “eram” guerreiras hábeis com o arco e cavalgavam na perfeição, dedicando-se em exclusivo aos jogos de combate e ao apuro da guerra. A rotura com a sua feminilidade era marcada pela ablação emblemática do seio direito, com o fim de dar maior mobilidade ao braço do mesmo, lado para melhor manejo das armas. Sociedade matriarcal, o amazonismo escravizava os machos mais fortes porque os mais débeis eram exterminados.

O avançar do ciclo, rumo à Idade do Ferro, submergiu as modalidades titânicas incluindo o amazonismo. No entanto, de acordo com as características desta última Idade é sabido que, na sua fase derradeira correspondendo também ao final do ciclo, os dados essenciais de todos os ciclos anteriores se reproduzem fugazmente antes do grande final. Por isso, é absolutamente natural que nestes tempos se repercuta episodicamente e de modo analógico a manifestação das mulheres-homem, das guerreiras do seio amputado, em suma, do híbrido em que contorcem duas naturezas opostas, irredutíveis entre si, cuja única consubstanciação possível não se alcança pela guerra ou pela morte mas pela hierogamia, pelo amplexo sagrado do amor.

 

Carlos Dugos.

10 meses ago

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