AUTORIDADE RELIGIOSA E AUTORIDADE INICIÁTICA

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Do ponto de vista perenialista, que é aquele em que me situo, todas as vias dedicadas á iluminação espiritual, sejam religiosas ou iniciáticas têm uma origem comum que se designa por Tradição Primordial. Este ponto doutrinário é oposto ao relativismo uma vez que se estrutura à volta de uma ideia de unidade e não de uma diversidade de equivalências soltas.

Isto, para dizer que as vias religiosas correspondem a uma modalidade espiritual movida pela fé enquanto as vias iniciáticas se movem pelo conhecimento. O modo religioso é aberto e universal admitindo, em princípio, todas as pessoas, enquanto o iniciático é restricto e selectivo, pois nele só deve ser admitido quem tiver capacidade para o seguir eficazmente.

Do ponto de vista institucional, tanto os modos religiosos quanto os iniciáticos têm limites de actuação que se definem a partir da sua natureza e da sua função que são absolutamente distintas nos dois casos, não obstante ambas se dedicarem ao desenvolvimento espiritual dos seus membros. Por isso, as estruturas religiosas não devem intrometer-se nas estruturas iniciáticas como estas não devem imiscuir-se nas religiosas. O contrário constitui usurpação de competências, pois a fé deve limitar-se ao que é da fé e a iniciação ao que é da iniciação.

Normalmente são os elementos menos conscientes destas organizações, ainda que nelas ocupem altos cargos, que tendem para um totalitarismo completamente obscurecido procurando exercer autoridade em estruturas para as quais não têm competência natural nem funcional.

Ainda do ponto de vista perenialista, modo religioso e modo iniciático são complementares, sendo desejável que alguém que siga um processo iniciático, volvido ao conhecimento, o equilibre ou complemente com uma assunção de fé religiosa, se for essa a sua inclinação. Neste caso, nem a instituição iniciática deve intrometer-se na vida religiosa de um seu membro nem a instituição religiosa deve opor-se à participação de um seu crente na vida iniciática.

Nas disputas existentes entre instituições religiosas e iniciáticas ambas partilham culpas, de parte a parte, e essas culpas devem-se à não compreensão da natureza, da função e dos limites que competem a cada uma dessas instituições.

Como sempre acontece, é a falta de consciência da realidade, a tendência para substituir a compreensão pela emotividade e a compulsão de exercer o poder universal sobre todas as coisas que conduz à separação do que, por natureza, devia estar unido em complementaridade.

Carlos Dugos

 

 

5 dias ago

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